sexta-feira, 9 de maio de 2008


Liderança Segundo o Coração de Deus
O que podemos aprender com os acertos e erros do Rei Davi
Alexandre Coelho

Todos buscamos ser líderes que possuam a aprovação de Deus em seu ministério e liderança. Como homens de Deus e líderes, temos a missão de falar de Cristo e conduzir seu povo, “a quem anunciamos [a Jesus], admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo” (Cl 1.28).
Há na Bíblia vários homens que se destacaram como líderes em Israel, e cujas vidas podem nos suprir de subsídios para que entendamos os princípios da liderança bíblica. Dentre estes homens, vamos observar, mesmo que de forma breve — não tenho por objetivo esgotar o assunto — o exemplo do rei Davi.

O Contexto da liderança de Davi

“E disseram-lhe [a Samuel]: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações” (1º Sm 8.5).

Não podemos começar a falar de Davi sem analisar a época em que ele viveu. Israel estivera sobre a época dos juízes, sendo julgado e orientado por Samuel, homem que reunia em si os ofícios de profeta, juiz e sacerdote. O povo, observando as nações à sua volta, decidiu pedir a Samuel um rei, pois o profeta estava velho e seus filhos não andavam em seus caminhos. Deus, após ser consultado pelo profeta, orienta-lhe que escolha a Saul como capitão do povo, com o objetivo de livrar a Israel das mãos dos filisteus (1º Sm 9.16).
Alguns cristãos que dizem, tendo em vista a forma com que governaram e em relação à obediência a Deus, Saul foi escolhido pelo povo, e que Davi foi escolhido pelo Senhor. Respeito quem pensa dessa forma, mas acredito particularmente que Deus não escolhe pessoas para que fracassem na liderança. Quando há um fracasso, é responsabilidade do líder, que se deixou afastar de Deus, como foi o caso de Saul. Mas a Bíblia diz que Saul foi escolhido por Deus, e Deus e Samuel investiram muito em Saul.
Deus mandou Saul para ser ungido, e Samuel para ungi-lo (1º Sm 9.16,17). Samuel não teve dúvidas de que aquele rapaz, que buscava as jumentas de seu pai, foi indicado pelo Senhor;
Saul profetizou, e teve seu coração mudado (1º Sm 10.5-10). Apenas quem tem o Espírito de Deus pode profetizar de verdade;
Deus considerou os homens que falaram mal de Saul, na sua coroação, como “filhos de Belial” (1º Sm 10.27);
Pelas mãos de Saul, Deus deu livramento a Israel diversas vezes, pois estava com Saul (1º Sm 10.7).

Infelizmente, com o passar do tempo, o primeiro rei de Israel se esqueceu de que fora ungido pelo Senhor e foi se afastando dEle, tornando-se um homem desobediente, iracundo, invejoso e desconfiado. Saul foi repreendido por Deus e Samuel, mas não se emendou (1º Sm 13.13; 15.26). Samuel acreditava tanto na chamada de Saul que ficou triste quando este desobedeceu a Deus, e o Senhor falou com Samuel: “Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel?” (1º Sm 16.1).
Isto pode acontecer conosco se nos afastarmos de Deus. A unção não garante que um líder ande nos caminhos que Deus determinou, e Saul é a prova desse fato. O caminhar com Deus e fazer sempre a sua vontade é que fará a diferença ao longo de nossa liderança. Saul se tornou desobediente à voz de Deus, e se tornou também inapto para liderar. Por sua desobediência, o Espírito do Senhor saiu dele (1º Sm 16.13, 14), e entrou em Davi (Pela ordem cronológica, como observou Ruy Bérgstén, primeiro Deus entrou em Davi, e depois se afastou de Saul). É justamente neste contexto, de necessidade de uma liderança centrada em Deus, que Ele escolhe Davi para ser o novo líder em Israel.

A Unção para o serviço é apenas o começo da caminhada. Precisamos sempre, e não apenas no começo, caminhar com Deus e respeitar suas orientações.


1. Deixe que Deus escolha você

“Então disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite, e vem, enviar-te-ei a Jessé o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei” (1º Sm 16.1).

Uma das coisas mais importantes na liderança bíblica é o fato de que Deus deseja que os líderes sejam pessoas que conduzam o povo a Deus. Isto não se refere apenas à liderança na igreja, mas em todas as esferas em que vivemos. E Deus escolhe seus próprios líderes. Jesus deixou claro que quando carecemos de obreiros para trabalhar na obra de Deus, devemos pedir ao Senhor da Será que mande os obreiros para o seu trabalho (Mt 9.37,38). Os céus possuem os melhores recursos humanos para a Igreja, e a oração é essencial na escolha de novos líderes. Não escolhemos a nós mesmos para estar em posição de liderança, pois o desejo do poder costuma corromper as pessoas.
A. W. Tozer comentou que “O Verdadeiro líder, digno de confiança, é provavelmente o que não deseja ser líder, mas é forçado a assumir uma posição de liderança graças à pressão interior do Espírito Santo e à urgência da situação interna. Assim foi com Moisés, com Davi e os profetas do Antigo Testamento... O verdadeiro líder não terá desejo algum de dominar sobre a herança de Deus, mas será humilde, brando, dedicado e inteiramente pronto a ser liderado da mesma forma que lideraria, quando o Espírito deixar claro que apareceu um homem mais sábio e mais talentoso que ele”.
Não estamos com isso questionando a voluntariedade. Davi foi voluntário para lutar contra o gigante. Aqui questionamos o sentimento soberbo, de que apenas “eu” posso fazer isto ou aquilo, que sou capaz e que posso realizar. Este tipo de pessoa costuma se escolher, se usar em nome de Deus, se tornar o centro das atenções. Pessoas assim não servem para servir.

Deus é quem nos escolhe para liderar. Quem arroga para si a liderança provavelmente não está apto para ela.




2. Seja um servo

“Davi disse a Saul: Não desfaleça o coração de ninguém por causa dele; teu servo irá, e pelejará contra este filisteu” (1º Sm 17.32).

Os exércitos de Israel e dos Filisteus estavam para se enfrentar em Socó, quando um soldado de tamanho descomunal e muita experiência de guerra, Golias, se apresentou ao povo e desafiou os israelitas a enviarem um combatente seu, a fim de que ambos resolvessem a questão daquela guerra. Do povo nenhum representante saiu, e mesmo Saul não se apresentou para combater Golias, que continuamente afrontava o exército do Deus Vivo. Ele era um verdadeiro carro blindado, assustador apenas de se ver.
Enviado por seu pai ao arraial dos israelitas para ver como estavam seus irmãos, Davi ficou indignado de que um filisteu injuriasse o seu povo. O líder segundo o coração de Deus deve ter zelo pelas coisas de Deus, e lutar para que o nome do Senhor seja glorificado.
Convocado para se apresentar diante de Saul, deixou claro ao rei que ele, como servo, iria pelejar contra o gigante. “Teu servo irá”. Davi não disse: “Saul, fui recentemente ungido por Samuel para ser o próximo rei de Israel, e preciso fazer o meu nome conhecido em nossa nação!” Davi se colocou na posição de servo que era, e assim foi honrado por Deus, pois não buscou a glória para si. Servos não constroem altares para serem reconhecidos, como fez Saul (1º Sm 15.12). Há pessoas que deixam de servir quando ocupam uma posição privilegiada, e se esquecem de que Deus há de cobrar-lhes o que fizeram enquanto ocupavam cargos de liderança. Jesus deu o exemplo de serviço quando lavou os pés dos discípulos. A resposta de Davi foi: “teu servo irá”. Como servo Davi foi vitorioso contra Golias, e deu a Israel um grande livramento.

Davi não deixou de ser servo após ter recebido a unção para reinar sobre Israel. E como servo Davi foi usado e honrado por Deus.


3. Enfrente os desafios mesmo quando ninguém vê

Então disse Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; e quando vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho, Eu saía após ele e o feria, e livrava-a da sua boca; e, quando ele se levantava contra mim, lançava-lhe mão da barba, e o feria e o matava. Assim feria o teu servo o leão, como o urso; assim será este incircunciso filisteu como um deles; porquanto afrontou os exércitos do Deus vivo. (1º Sm 17.34-36)

Questionado por Saul sobre sua intenção de combater o gigante, Davi disse que já enfrentara um urso e um leão para defender as ovelhas de seu pai. Observe que, pelo texto, primeiro Davi livrava a ovelha, para depois livrar sua própria vida. Isto demonstra coragem e altruísmo. E Davi não teve uma platéia para observar seus feitos heróicos, apenas ovelhas.
Depois de ser ungido, voltou a pastorear as ovelhas de seu pai. Ovelhas não conversam umas com as outras dizendo: Nosso pastor ontem enfrentou um urso para nos defender. No mês passado, ele enfrentou um leão também. Estamos seguras perto desse pastorzinho!” A platéia de Davi jamais falaria dos seus atos heróicos. Muitos pastores sem compromisso em Israel jamais lutariam com um urso ou um leão por uma ovelha. Eles simplesmente pagavam o valor da ovelha devorada. Na mão destes, ovelha morta vira estatística. Mas Deus não vê o nosso rebanho como um simples número.
Davi não apregoou esses feitos, senão quando questionado por Saul. Deus, melhor que ninguém, observa o que fazemos quando ninguém está olhando. A presença dEle conosco nessas horas de anonimato é a garantia de sua presença quando nossa liderança for conhecida. Mesmo Jesus foi tentado no anonimato do deserto. Quando trabalhamos na igreja para que outros nos observem, estamos fazendo algo pelo motivo errado. Quem dá esmolas, ora ou jejua para ser observado pelos homens já recebeu o seu galardão. Deus não tem compromisso em recompensar essa pessoa. A publicidade pode ter seu valor entre os homens, mas Deus recompensa a discrição e o anonimato, pois ambas as coisas abrem as portas para que o nome dEle seja glorificado, e não o nosso.

Não espere ser visto ou reconhecido para enfrentar desafios.


4. Dependa de Deus

Disse mais Davi: O SENHOR me livrou das garras do leão, e das do urso; ele me livrará da mão deste filisteu. Então disse Saul a Davi: Vai, e o SENHOR seja contigo” (1º Sm 17.37).

As vitórias alcançadas não podem nos tornar soberbos, e sim cada vez mais dependentes de Deus. Essa dependência faz a diferença na liderança. Desde a queda, o homem busca ser uma pessoa independente de Deus. Por isso que, para o homem pecador, dependência é sinônimo de fraqueza, de incapacidade, de submissão. Mas é justamente aqui que reside o segredo de uma liderança vitoriosa: É a dependência de Deus que nos faz andar com Deus e realizar coisas impossíveis. Enquanto Saul dependeu de Deus, Deus era com ele, mas a partir do momento em que Saul resolveu desobedecer a Deus, Deus deixou de falar com ele, pois a voz divina não fazia mais diferença na vida do monarca.
Por depender de Deus, Davi enfrentou Golias sem ter em suas mãos armas adequadas ou experiência de combate corpo-a-corpo. A funda que Davi usava servia primordialmente para atirar pedras na frente de ovelhas desgarradas, fazendo com que retornassem para o rebanho, mas foi com ela que Golias foi abatido. Uma pedra, lançada por um adolescente, derrubando um combatente de quase três metros de altura, com no mínimo 130 quilos, capacete israelense e colete a prova de balas. E a submissão a Deus fez de Davi um grande guerreiro, temido por seus inimigos: “Porque contigo entrei pelo meio duma tropa, com o meu Deus saltei uma muralha” (Sl 18.29). Apenas a dependência de Deus nos torna ousados.
Nada podemos fazer que seja por nossa própria conta, pois nossos esforços sempre estarão aquém daquilo que é necessário. “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).

Não permita que as vitórias o tornem uma pessoa tão forte que se esqueça de depender de Deus.


5. Seja esforçado na adversidade

E Davi muito se angustiou, porque o povo falava de apedrejá-lo, porque a alma de todo o povo estava em amargura, cada um por causa dos seus filhos e das suas filhas; todavia Davi se fortaleceu no SENHOR seu Deus (1º Sm 30.6)

Saber lidar com a adversidade é muito importante para a liderança, pois ela, tanto quanto o poder, costumam revelar quem nós realmente somos. Davi estava morando em Ziclague, na terra dos filisteus. Por questão de segurança, os homens que seguiam Davi e o próprio Davi estavam naquela terra, protegendo suas famílias: “Disse, porém, Davi no seu coração: Ora, algum dia ainda perecerei pela mão de Saul; não há coisa melhor para mim do que escapar apressadamente para a terra dos filisteus, para que Saul perca a esperança de mim, e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; e assim escaparei da sua mão. Então Davi se levantou, e passou, com os seiscentos homens que com ele estavam, a Aquis, filho de Maoque, rei de Gate (1º Sm 27.1,2).
Após sair em uma de suas campanhas, Davi e seus homens descobrem que aquela terra, que lhes inspirava segurança, não era tão segura assim. Os amalequitas, aproveitando-se da ausência de Davi, destruíram a cidade, queimaram-na e levaram todas as famílias como prisioneiros. Mas não mataram ninguém.
De forma curiosa, os familiares de Davi e de seus homens não foram mortos, uma prática incomum naqueles dias. Aqui vemos a graciosa mão de Deus guardando aquelas pessoas. Imagine você chegar do trabalho, encontrar sua casa destruída e descobrir que seus familiares seqüestrados! A angústia daqueles homens foi muito grande, pois eram pessoas muito mais sensíveis às dores da vida e ao desespero. Eram os mesmos homens que vieram ter com Davi quando este estava escondido na caverna de Adulão: “homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espírito desgostoso” (1º Sm 22.2). A dor deles foi tão grande que choraram até que não tiveram mais forças, e falaram em apedrejar Davi. Mas Davi se esforçou no Senhor. É na adversidade que as pessoas que nos cercam percebem de onde vêm as nossas forças. Davi consultou ao Senhor, foi atrás dos amalequitas, derrotou-os e trouxe de volta todos familiares que foram sequestrados. O esforço de Davi, como líder, e a sua dependência de Deus, foram os responsáveis pela vitória naquela situação.

Vitórias em tempos de crise vêm do esforço e da confiança em Deus, sempre de acordo com as suas orientações.


6. Não faça o que é mal aos olhos do Senhor

“E passado o luto, enviou Davi e a recolheu em sua casa; e lhe foi por mulher e ela lhe deu um filho. Porém essa coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do Senhor” (2º Sm 11.27)

Não é pecado ter sucesso na liderança. A questão é como reagimos ao sucesso obtido.
Richard D. Phillips comenta que “o sucesso tem um efeito desorientador sobre a maioria de nós. Depois de lutar tanto tempo para chegar à tão sonhada posição no topo, deixamos de fazer as coisas que nos levaram até ela.” E o pecado pode atacar os que estão na liderança e levá-los direto para o fundo do poço.
Davi deu um gosto especial de vitória ao seu povo. Derrotou os filisteus do oeste, os moabitas do leste, e os arameus de Damasco, no Norte, dominando a Síria (2º Sm 8—10). “E o Senhor ajudava Davi por onde quer que ia. Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; e Davi julgava e fazia justiça a todo o seu povo” (2º Sm 8.14,15).
Nesta altura da história, vemos um Davi no auge de sua liderança e dependência de Deus. Mas a seguir, em 2º Samuel 11, vemos que este mesmo Davi incorreu em um terrível pecado.

O primeiro passo. Davi deveria estar no combate, mas estava em seu palácio, deixando suas tropas sob os cuidados de outra pessoa. Deixar que outras pessoas façam o que podemos fazer é delegação, e isto não constitui um problema. A delegação auxilia os liderados a executar tarefas cada vez mais responsáveis. O problema reside no fato de que aquele era o tempo de os reis estarem na guerra. Quando esquecemos a hora de fazer a nossa parte na obra de Deus, abrimos brechas para a tentação e o pecado. No tempo em que devemos trabalhar, não podemos:
- Estar ociosos, tirando um cochilo enquanto o combate está acontecendo (a linguagem é bastante militar, pois Israel estava em guerra): “levantou-se Davi do seu leito”
- Andar sem objetivos: “andava passeando no terraço da casa real”
- Depositar nosso olhar naquilo que não provém de Deus: “viu uma mulher que estava tomando banho; e era mui formosa”;
- Interessar-se por aquilo que não é da nossa conta: “Davi mandou perguntar quem era”;
- atrair para si o que não era seu: “Enviou Davi mensageiros que a trouxessem”
- Efetivar o pecado: “ela veio, e ele se deitou com ela”

Esse foi o caminho para a queda de Davi. Davi já possuía 6 esposas. Agora queria a de Urias. Não foi tão difícil, para quem já se esquecera da lei de Deus, tendo várias mulheres: “Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração não se desvie” (Dt 17.17).
O mesmo Davi que se conduzia com prudência (1º Sm 18.5,14) e ganhara o respeito do povo pelas vitórias que obtinha agora estava traindo sua própria família, um de seus melhores soldados, seu povo e o seu Deus
A queda de Davi não ocorreu de forma repentina. Ninguém cai de um dia para o outro. A verdade é que as estruturas mais sólidas vão sendo corroídas com o tempo, quando cometemos pequenos delitos, ou quando não deixamos com Deus nossa vida como um todo. E a iInfidelidade pessoal leva à infidelidade profissional e ministerial.

O segundo passo. Davi já cometera um adultério, quando recebe a notícia de que Bate-Seba engravidara. Crianças podem nascer antes do tempo, para dar esta impressão, Davi ordena que Urias retorne para casa, com o objetivo de coabitar com sua esposa. Se isto ocoresse, Davi teria uma desculpar para se safar. Mas Urias era um soldado de valor, e mesmo tendo sido embriagado por Davi, não teve relações sexuais com sua esposa. Isto deixou Davi sem outras opções de esconder seu pecado, e o monarca decide matar um de seus mais fiéis e honrados soldados. E ainda ordena que o próprio soldado leve sua sentença de morte ao comandante Joabe.

O terceiro passo. Primeiro adultério, depois ocultação do pecado, e finalmente, a ordem para um assassinato. O pecado deixou Davi tão cego que ele mandou uma mensagem a Joabe, seu cúmplice no assassinato de Urias: “Não te pareça mal isto aos teus olhos” (2º Sm 11.25). Mas o que não era mal aos olhos de Davi foi mal aos olhos de Deus. Quando nos afastamos de Deus, tentamos convencer as pessoas que o que é errado se torna certo. Mas o olhar de Deus é íntegro. Ele é juiz tanto para a justiça quanto para a injustiça, e quando as encontra, Ele as julga. Aproximadamente um ano se passou sem que houvesse em Davi qualquer manifestação de arrependimento pelo que havia feito. Casado com a viúva, deu aos olhos do povo um ar de legalidade ao que havia feito. Mas Natã, o profeta enviado por Deus, confrontou Davi: “Porque, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom” (2º Sm 12.9). Davi desprezou a Palavra do Senhor, o Deus a quem tanto amou quando era mais novo. Mandou Urias, um estrangeiro hitita que servia no exército de Israel, para ser morto de propósito pelos inimigos. E Deus viu tudo isso.

A conseqüência do pecado de Davi.
Será que Deus não foi severo em suas exigências para com Davi? Porque uma pessoa que está na liderança do rebanho não pode ter uns momentos de folga da santidade? Alguém que obtivera tantas vitórias não poderia dar uma fugidinha, afinal, ser rei é estar sob uma pressão terrível... Deus exige um alto padrão moral de sua liderança. Infidelidade é fazer pouco caso de um compromisso, e no caso de Davi, foi desprezo à Palavra do Senhor. Por causa de seu pecado, o pastor segundo o coração de Deus seria lembrado também por sua terrível falha moral, além de trazer a espada à sua própria casa.


A vigilância faz parte de nossa vida sempre. Tentações e o pecado não tiram férias, portanto, esteja alerta à sua vida moral e espiritual.


7. Cuide de seus filhos

Davi teve diversas esposas e filhos. Não é difícil imaginar que em um lar onde há diversas mulheres e filhos competindo pela atenção de um único homem, a paz e a felicidade certamente não andam juntas. Na época em que cometeu adultério com Bate-Seba, Davi já tinha 6 esposas. Não se preocupou muito em educar e disciplinar seus filhos, e o resultado foi catastrófico.
Um irmão (Amnon) violentou sua meio-irmã (Tamar) (2º Sm 13.1-17);
O irmão desta, Absalão, revoltou-se com a inércia de seu pai.
Davi ficou apenas irado com Amnon, mas não fez mais nada! (2º Sm 13.21);
Davi nada faz para consolar sua filha violentada e humilhada;
Absalão matou seu meio-irmão dois anos depois pelo estupro (2º Sm 13.23,32);
Absalão tem de fugir e fica fora do país por três anos.

Após este período, Davi permitiu que seu filho voltasse a Israel, mas deixou claro que não queria que o filho sequer olhasse a face do rei (2º Sm 14). Essa situação durou mais dois anos. Somando tudo isto, 2 anos a vingança amadureceu no coração de Absalão contra Amnon, mais 3 anos foragido e outros 2 anos sem olhar para Davi. Este foi o tratamento que Davi deu a seu filho, o que depois gerou um golpe de Estado que deixou Davi sem o reino por um período, e custou a vida de Absalão.
Lembra-se do que Deus disse quando Davi pecou? “Assim diz o SENHOR: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol” (2º Sm 12.11). O próximo que se deitou com as concubinas de Davi foi o próprio Absalão. Isto foi conseqüência de seu adultério com Bate-Seba e de sua falha como pai. A presença paterna de Davi era nula, e isto é patente na Bíblia.
No saldo da falta de ação de Davi, houve uma filha estuprada, dois filhos mortos e outras mulheres violentadas, e na frente do povo (2º Sm 7.23). E Davi pouco fez para evitar essa situação.
Se temos filhos, precisamos tratar com eles de forma íntegra. Não é justo cobrar de nosso filhos o que não costumamos cobrar do rebanho.
Precisamos ensiná-los antes de cobrar qualquer coisa, e passar tempo com eles, dando-lhes a atenção que eles merecem. “Como flechas na mão do valente, assim são os filhos da mocidade” (Sl 127.4). Como pais, devemos ter resistência e flexibilidade, pois este equilíbrio permite ao arco apontar e lançar as flechas aos alvos e distâncias corretas. Portanto, seja equilibrado e cuide bem dos filhos que Deus lhe deu.


Seu primeiro rebanho é a sua casa. Não espere ser um bom líder em qualquer outro lugar se não puder começar em seu lar.

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Alexandre Claudino Coelho é pastor na Assembléia de Deus no Recreio dos Bandeirantes (Ministério de Petrópolis), professor de Grego e Novo Testamento na FAECAD, articulista, editor de Obras Nacionais e Internacionais e chefe do Setor de Livros da CPAD.

Bibliografia
10 Erros que um Líder não Pode Cometer, Hanz Finzel, Edições Vida Nova.
O Coração de um Executivo, Richard D. Phillips, United Press.
Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Segundo o Coração de Deus, Luis Palau, Editora Betânia

6 comentários:

Pastor César Moisés disse...

Caro Pastor Alexandre Coelho

Seja bem-vindo à blogosfera.

Tenho certeza que este blog muito acrescentará nesta área tão carente e necessitada de bons pensadores em nosso meio.

Estarei acompanhando as postagens e sei que será uma benção para a glória de Deus. Haja vista a qualidade do primeiro artigo que é, sem dúvida, um grande exemplo do que será possível verificar neste blog.

Um abraço.

Alexandre Coelho disse...

Olá pastor César

Agradeço a recepção oferecida, e espero contribuir para o Reino de Deus oferecendo artigos que auxiliem os obreiros na função de liderança.
Deus o abençoe.

Seu servo

Alexandre Coelho

☺Piu's☺HEART disse...

Olá! Paz!!! Estava procurando algo sobre liderança e encotrei elo google este blog. Qro dizer q o texto foi relamente proveitoso. Estou absorvendo as palavras para aplicar na liderança do grupo de danças espirituai sdo qual faço parte como vice-lider. Realmenet é mt difícil e como vice, mts vezes n temos como agir dianet de errosda liderança. Por isso, desfalecemos e preferimos ser omissos. É o q tenho feito, mas isso me afastou d eDeus e tenho tentado retomar meu lugar. Peço orações!
Deus abençõe!!

Anônimo disse...

q LIXO!!!!!

André Quirino disse...

Pr. Alexandre Coelho, a paz do Senhor!

Sou um admirador do senhor e do seu trabalho, principalmente como chefe do Setor de Livros da CPAD. Inclusive, já enviei-lhe um e-mail para apreciação de um livro. Pois bem, também acompanho sua participação no programa "O Cristão e o Mundo", recém-estreiado na Rede AD Brasil. Parabéns! Que Deus continue lhe abençoando, usando, fortalecendo e capacitando para Sua glória! Estou sempre orando pelo senhor. Em Cristo,

Abraço!

Miriam Reiche disse...

Pastor Alexandre, é com muita alegria que deparei-me com seu blog na relação de nosso querido pastor César. Obviamente, tive de vir conferi-lo. Com a certeza de que não me decepcionaria, tive minhas convicções confirmadas. O blog possui um design sóbrio, bem de acordo com sua temática. O texto, como não poderia deixar de ser, é profundo e simples, como já é peculiar de sua escrita. Seja bem-vindo! Vez por outra, passarei por aqui para dar uma conferida nos posts. Deus o abençoe!
Miriam Reiche